Olhar o que aconteceu alguns meses depois é como ter uma visão privilegiada de um estrangeiro sobre a própria vida. Aquela velha estória. Um deles vai primeiro, o outro sofre, o drama das coisas devolvidas, melancolia de apertar o peito, e muitos dias em que se acorda chorando, com raiva, ou cometendo insanidades que envolvem ligações, humilhações, bebidas e e-mails (no meu caso é “don´t drink and type”) rasgados em madrugadas durante a semana.E aí isso tudo passa.
Claro que machucado cicatrizado a pouco, ainda dói de vez em quando. Sua vida anda e seus amigos continuam na noite, e continuam vendo a sua ex metade dançando por aí com um (a) outro qualquer. Sobrevive-se a isso. Na verdade sobrevive-se a quase tudo nessa vida, o pior é que quando dói é tão físico que a gente jura que não vai agüentar. E não agüenta mesmo ás vezes, mas o sofrimento dura o tempo exato para que a gente comece a sentir pena de nós mesmos e a partir disso se resolva dar a cara á vida, a tapa.
Hoje, café para dois e jornal dividido na cama, eu lembro de todos aqueles que foram embora levando um pedaço de todas essas manhãs de domingo chuvoso onde a vida se enche de esperança por ter alguém bacana para brigar pelo jornal. E o coração aperta um pouco por lembrar o quanto doeu da última vez, e o quanto tantos meses depois, aquele último parece nem lembrar que você existia. Mas aí o medo some quando se vê mais uma vez uma possibilidade tímida de amor que te invade a vida de novo. E mesmo sabendo o quanto dói, ou o quanto se imagina que vá doer, são essas manhãs sonolentas divididas por dois que fazem toda e qualquer coisa valer a pena. Até isso que dói agora.
Até isso.
A primeira impressão
9 hours ago
