Monday, November 09, 2009

Querido Capricorniano,

Por mais que o meu horóscopo fale
Que hoje é um dia de sorte
Ontem ele disse que alguma coisa ia mudar o curso das coisas
E que era para eu simplesmente sentar e esperar.
Enquanto o ar condicionado da minha sala do trabalho
Encontra-se mais uma vez
Quebrado
E eu derreto o fim de semana de dois meses depois
Estatelada na areia feito um ovo frito
Para garantir um bronze de garota carioca
que eu não sou.

Saturday, November 07, 2009

"You get so alone at times, that it just makes sense" Bukowski

Eu lembro de um filme do Spike Lee, acho que era o Do The Right Thing, que a fotografia era amarela estourada, e as pessoas andavam pelas ruas com aquela expressão de quando o calor extrapola a condição física e vira um estado emocional. Somando esta cena, junto a um ar condicionado quebrado, eu fico pensando em quando é que ficar sozinha em casa no sábado virou um programa agradável.
Alguns anos depois do frenesi, de algum lugar com rock´n roll ou um vinho com os amigos, um telefone tocando com um convite para o cinema ou até mesmo alguém que viesse passar a noite, eu penso que hoje pouca coisa tira meu ar.
Não é ruim. Pelo contrário.
Quando o tempo passa levando junto a carga pesada da ansiedade, se perde a vontade de abraçar o mundo e se espera os dias de querer abraçar uma (pessoa) coisa só.
Mesmo que o tempo passe em um sábado como esse, eu fico bebinha de vinho branco gelado para que se dê conta de um quarto quente, suspirando memórias, deixando como quem não liga muito, coisas incríveis que estão para chegar.
Mesmo que eu esteja, não me sinto mais só.
E isso basta por todo o resto.

Monday, November 02, 2009

Assustadoras primeiras páginas.

Eu queria apenas duas coisas na vida.
Escrever e me sentir finalmente capaz de pertencer a um homem só.
Comecei pela primeira.
Na minha vida existiam dois homens.
Um que me amava com a devoção de um filhote e outro a quem eu amava como se ama a um filho.
O primeiro me resgataria em qualquer lugar do mundo, o segundo me colocava em um lugar que não era o meu.
Se eu via alguma coisa que era a cara de Miguel, um quadro, um filme, um livro, imediatamente queria contar e sugerir que ele procurasse por aquilo, mas as respostas ora eram extremamente monossilábicas ou simplesmente não eram.
Eu já não achava mais graça.
Agora você me pergunta o porquê eu quis vir até aqui, ver com meus próprios olhos se valíamos uma outra vez.
Eu finalmente posso te responder, com a segurança de um cafajeste
(Enquanto você no auge da pretensão achava que era loucura de mulher que se apaixona de cara)
Que eu vim porque aqueles dois já haviam me consumido até as entranhas.
Você não.
Você eu não conhecia.



*Começa assim.Pronto,mostrei.

Tuesday, October 20, 2009

Same old bad habits

Das manias que eu guardo de tempos passados, estão as unhas roídas, o café religiosamente ás 18h e a angustia, que eu ainda teimo em procurar.

De todas as manias a que incomoda ainda são as unhas roídas. Pedacinhos de esmalte vermelho pelo chão da sala.

Angustia não encontro mais. Ainda que procure a fundo.

Passou.

Thursday, October 08, 2009

Should I stay or should I go?

Eu passo meus dias pedindo "tea for one". Enquanto ele insiste para que eu peça "tea for two". Um dia vou acabar cedendo.

Tuesday, October 06, 2009

Segredo.

Ás vezes, tudo o que uma mocinha precisa, é de um elogio bonito
e de um bom tapa na bunda.







Aquarela de Eva Uivedo

Monday, October 05, 2009

Centro da cidade, segunda feira, 17h.

Talvez tenha sido aquela hora, correndo para o metrô no meio do dia, indo para o centro da cidade ficar sozinha como eu gosto de fazer de vez em quando. Eu vi uma coisa bonita, lembrei de você, que foi a coisa mais bonita que eu já vi na vida.
Não sei, mas hoje eu senti uma falta tão grande que neste exato momento eu lembro de todos os dias que você esteve presente. Já não me dá vontade de te ligar. Já não tenho mais isso. É verdade que o tempo passou e já nos perdermos um do outro. Já não sei mais ficar ao seu lado, já não soa mais natural, mas é que hoje eu lembrei dos pêlos dourados de menino de praia, que ficam na sua nuca, a nunca que foi tão minha, que eu gostava tanto. Não acho que seja saudade. Há muito tempo me acostumei com a falta que você faz. Não guardamos muitas memórias, não tem para que apelar, as fotos que nunca existiram, de nossas inúmeras viagens, não sei porque não tiramos. Lembro de você com a cabeça encostada no meu ombro, cara de cansado. Fazia dez dias que não nos víamos, eu lembro do frio na barriga, do mesmo frio na barriga que eu senti e que eu sentia durante todo o tempo. Talvez tenha sido por isso. Não é natural sentir frio na barriga com alguém que você já conhece a tanto tempo. Talvez, se eu já tivesse acostumada com você tanto tempo depois, não teríamos terminado, talvez eu nunca tenha me sentido segura justamente por isso, talvez, se eu tivesse ficado um pouco mais entediada, como esses casais de muitos anos depois, eu não teria te deixado, mas era tanto amor que eu não dei conta. E você não deu conta do tanto eu ainda tinha pra te dar.
Fica isso então. Uma dor de estômago no meio do dia, simplesmente porque eu vi uma coisa bonita no meio da cidade, e isso me lembrou o quanto eu senti.
Seria melhor se fosse saudade...
Mas não é.
Eu me acostumei com o buraco.
Você já não está mais aqui.
E eu te amo mesmo assim.
Mesmo não te querendo de volta.

Thursday, October 01, 2009

Este não é um texto de amor.

O primeiro cara que eu amei me deixou para se apaixonar por uma moça francesa e requintada, que o deixou por Paris. Alguém sempre deixa alguém por alguma coisa. Aprendi na pele, o moço em questão precisava se apaixonar pela situação. Se apaixonar por alguém que não está aqui é a desculpa perfeita por não conseguir se envolver com alguém que está ao lado. Esconde-se uma limitação. Tudo bem.
Meu erro maior sempre foi me apaixonar por toda e qualquer coisa que me desperte algo. Muitas coisas me despertam algo, por isso passei todos os meus dias em hipérboles desesperadas e dramalhões mexicanos por poucos motivos.
Quando a coisa aperta quem segura a onda sou eu. Deixando o lado judia russa/portuguesa/argentina maluca de lado, confundo a cabeça dos que me amam com um gênio que nada parece com meus gens passionais.
Quando a coisa aperta quem segura a onda sou eu. Mesmo que para pequeníces e assuntos do coração eu morra um pouco todos os dias.
Hoje não foi um dia bom. É preciso coragem para dizer. Não vem ao caso. O que realmente importa é que diante da possibilidade da morte, até mesmo minhas menores grandes dores desaparecem. Diante da possibilidade da morte cria-se religião, silêncio e humildade. A vida nos coloca de joelhos e não existe arrogância que segure. As coisas acabam por fim.
Hoje, diante do pouco tempo que tenho junto aqueles que eu amo com a devoção de um filhote, eu cresço um pouco mais e me esqueço do resto.
Pouco importa aquele cara que me deixou, a paixão platônica por alguns outros, o mestrado, a viagem, o cara que me deixa em suspiros durante madrugadas. Pouco importa meus livros, minha vida, pouco importa a paixão.
O que importa são aqueles que vieram antes, o tempo que nos resta, e a minha capacidade sem limites de dar e receber amor independente do quanto já tenham tirado de mim.
O que importa é estarmos vivos hoje.
Nada mais importa.

Tuesday, September 29, 2009

Depois do fim.

Ás vezes,

Agora que já se foi o amor, a paixão, a compreensão cega, o entendimento, o tatear a noite para ver se você ainda estava ao lado, o coração apertado durante um dia de chuva, o carinho, o tesão, o respeito, agora que já não sou eu que mereço algumas linhas tortas do seu sentimento que te sai como um parto, eu queria saber,
Eu só queria saber,

O que é que te motiva.

Thursday, September 24, 2009

Marcado.

Seria piegas falar de uma mancha roxa na altura do meu quadril.
E de dizer que ela está alí há quase um ano.
Uma mancha roxa que não sai.
Quase uma piada pronta.
Não é uma marca que sempre existiu, gostaria de dizer.
Ela simplesmente está alí, a todo esse tempo, e ao invés de se tornar mais branda, fica cada vez mais roxa.
Para me mostrar que existem coisas que a gente nem sempre consegue se livrar com facilidade.
Ou para que eu me lembre da força que tem as suas mãos.

"Porque era Ela, porque era Eu"

Chegou a casa, tirou a capa de chuva, jogou o guarda-chuva no canto. Detestava esse dress code dia chuvoso mas tinha acabado de se recuperar de uma pneumonia por conta de cigarros demais e gripe mal curada. Era mais hipocondríaco do que ligado em roupa. Foi de capa de chuva.
Um ano e meio tinha se passado. Ás vezes ele achava que era tempo demais, ás vezes quando alguém contava que tinha reencontrado um antigo amor depois de alguns anos, ele pensava nisso de novo. Era esquisito. Não sentia saudades de Clara ao ponto de querer ligar para ela e pedir que ela voltasse. Ela tinha deixado, é preciso dizer, e muito tempo depois, arrependida de ter dado para os caras que queria dar, no Rio De Janeiro por pura raiva e puro tesão, Clara tinha entendido que gostaria de passar seus dias em meio as manias de doença, cheiro de cigarro e neoroses de Antônio. E daí ele que não quis.
Ficou muito tempo punindo a menina esfregando garotas boazudas e putas da mais fina espécie na frente dela e de alguns amigos.
Clara se cansou.
Um dia encheu o saco de ainda amar aquele mesmo cara e entendeu que era preciso seguir em frente. Era preciso fazer qualquer coisa, pensava ela, até que resolveu se mudar.
Naquele dia, ela tinha ligado para Antônio para saber como tinha sido a volta para casa do hospital, e para avisar que em 3 dias iria se mudar para Buenos Aires para fazer finalmente o mestrado em Belas Artes. Ela postergava esse mestrado desde quando se conheceram. Tinha se apaixonado demais para dar o fora.
“Mas agora é hora Antônio, eu tenho que ir. Fora isso tô indo morar com um cara que conheci uns meses atrás, naquele show que você não quis ir comigo. Coisa de filme né Antônio? Quase clichê. Menina convida ex para ir a show de Rock, ele não vai e ela conhece o Love of her life. Seria piegas, quase escroto se não tivesse acontecido comigo, mas não é que aconteceu? Então tô indo, me mudo em três dias. Só queria que você soubesse por mim. Ó Antônio, cuida bem do cachorro, leva ele pra passear, e manda um beijo pra sua mãe por mim. E se cuida. Quando eu chegar lá te mando um e-mail. Beijo”

Saiu de casa na chuva. Um ano e meio depois, não sabia muito bem o que falar mas tinha certeza de que ela precisaria daquela camiseta velha do CBGB para dormir a noite.
Um ano e meio depois.

Mas um ano e meio depois não se precisa mais de nada Antônio. De nada que não tenha sido feito antes.

Monday, September 21, 2009

Ressaca.

Por mais que você esteja cansada de falar (de escrever) sobre bebida, e cigarro, e a forma com que você ainda sai de casa esperando grandes dias mesmo que você fale para a sua analista, toda semana, o quanto você quer nada além do cotidiano anos 20 de se amar uma pessoa só e ter esse amor recíproco todas as manhãs com cheiro de café.
Por mais que você queira fugir do óbvio, de escritora óbvia em início de carreira, e morra de vergonha daquele que admira, que escreve bem, e escreve ficção, e escreve coisas que você desconhece ou já tenha vivido (mas lido isso pelas palavras de outra pessoa) você ainda vai para a mesma festa, e o que vai te falar mais alto é o mesmo cara de muitos anos atrás, que vai fazer seu coração bater da mesma forma da primeira vez que você o viu, e você vai querer se aproximar, e fazer as mesmas coisas, e pegar aquele drink, e dar a entender que seu domingo está livre (mesmo que já não esteja) e vai soltar meia dúzia de referencias de coisas que você gosta, de coisas que vocês gostavam junto, e vai dormir, com a mesma ressaca emocional que você sente há dois anos, e contrariando aquele outro escritor que admira, vai se sentar e escrever, amaldiçoando até o tal escritor, porque você vai chorar, e vai falar de amor, vai falar daquele mesmo cara, dos seus problemas familiares, e vai sair em primeira pessoa, e vai te doer, mas vai virar palavra e assim mais calma você consegue se arrepender de todas as coisas da noite anterior.
E nesse momento,você pega um outro livro, daquele mesmo cara que você admira,e consegue esquecer um pouco as coisas, e morre de raiva dele, porque parece que ele mesmo esqueceu, que todo escritor começa fazendo escrita confessional.
E talvez eu seja isso mesmo.
Confessional.
Boa noite.

Thursday, September 10, 2009

Adios, Agosto.

Escrevo cartas abertas para um milhão de pessoas. Ás vezes ficcionais, ás vezes por incapacidade de gritar na cara o que vem de dentro. Ao longo dos anos no Rio De Janeiro foram meus dias que me tornaram escritora. Existe um livro, que assim como outros textos, serviu para que eu me preparasse para desgarrar de uma fase da vida, de um amor bem sucedido. Passou. Tá passando de novo.
Passo madrugadas inteiras escrevendo o que chamam de romance. Invento personagens para provar para mim mesma que consigo desapropriar pessoas reais do meu bloco de papel. Invento a vida que quero pra mim. Meus personagens são complexos, mas são felizes. "Quero tanto ser feliz que dói". É a primeira página do primeiro blog quando eu ainda tinha 16 anos e morava em uma cidade de interior que não abrigava nem metade dos meus sonhos. Saí de lá, dei no pé para uma terra fria onde descobri que o Rock´n roll ainda salvaria meus dias pelos próximos anos. É visível o quanto amei ao longo do tempo. Por alguns fui amada de volta. Os outros ganharam textos.
Fui deixada, traída e trocada algumas vezes, como qualquer ser humano normal. Já fiz isso também. Meus caras têm novas garotas e isso dói uma dor física.
Toda e qualquer pessoa que cruza meu caminho deixa um tanto e leva um pouco embora.
Pareço um filhote quando preciso de carinho.
Atrás da orelha, na nuca, existem todas as minhas respostas.
Quando escrevo usando iniciais é porque nem eu quero saber o que significa.
Aos meus meninos, eu sempre deixo um agradecimento eterno.
Todos os caras que eu conheci formaram um pouco do meu caráter.
Meninas me entediam, não me entendem.
Eu me apaixono demais.
Tudo o que eu tenho pra passar para o mundo são algumas linhas de sentimento barato, porém verdadeiro.
Esse ano eu achei que fosse morrer de amor.
Passou (passa) como tudo na vida.
Agosto foi um mês ruim.
Em setembro meu melhor amigo viaja por um ano.
Mas ele me ensinou que todas as coisas são possíveis.
Talvez exista alguém para se pensar a noite.
Minha mãe é meu maior ídolo.
Ainda pretendo sair fora este ano.
E por enquanto...
Está tudo bem.
Obrigada.

Tuesday, September 08, 2009

All My Friends

Hoje eu lembrei que ele está indo embora.
Me acordou no meio de uma discussão. Precisava da minha opinião sobre alguma coisa.
Depois reclamei de frieza ( “Você precisa mudar de assunto”) e ele disse, na cara lavada que era uma boa hora para passar um tempo fora.
Quanto a mim, que eu não me preocupasse, eu estava bem e não precisava mais ligar algumas vezes por dia para que ele dissesse algo que confortasse. Eu estava bem, repetiu algumas vezes.
Disse que um ano passaria rápido e que ele estava bastante orgulhoso de mim, que tinha certeza de que eu estava mais leve, menos preocupada com tudo.
Deixou claro que eu e o outro não seriamos mesmo felizes juntos e desejou (quase que ordenando) que eu me apaixonasse de novo, rapidamente, e que eu não o enganava sobre o quanto demorava para que eu me entregasse a alguém.
Disse que o melhor da vida ainda estava por vir, eu fiquei mais tranqüila, me fez prometer que o visitaria, mesmo que agora eu não tenha um puto, e pediu que eu nunca mais aceitasse menos do que tudo.
Foi embora me deixando com uma noite inteira para sentir saudades pelo ano que virá e para catar os últimos cacos deixados por aquele que eu amava ( Ah,pediu também que eu não esquecesse que as pessoas que mais amamos podem ser as mais cruéis)

Fecha-se outro ciclo.

“O melhor da vida ainda está por vir” Disse ele.

Eu prefiro acreditar que vai ser assim.


***************


Minha mãe disse:
"Nem sempre a pessoa por quem a gente é mais apaixonada, é aquela que nos faz feliz"
Concordo dizendo para ele que não sei mais ser monogâmica. Que fui apaixonada por E. e não fui fiel, que quase morri de amores e até achava que no fim, eu fazia aquilo para puni-lo. Isso foi antes de começar a não sentir mais nada. A partir de um momento E. me ensinou a não ligar mais para as coisas que fazia, e de alguma forma, eu tinha virado seu espelho para me proteger. Tem hábitos que a gente aprende com os outros. Ele perguntou se eu achava que E. me traia. Disse que uma vez só, eu achava, em um dia, quando fiquei plantada na porta dele (de novo?) esperando que ele chegasse. Disse pra mim que quando aceitou que sua natureza humana era aquela, parou de se punir e foi mais feliz, eu disse que comigo também era assim.
Mas eu tinha amado tanto aquele cara sabe... Hoje mesmo, ainda nessa madrugada que já quase chega ao fim, eu pensei em ligar pra ele, completamente sóbria, assim de cara, pra dizer que não dormi porque hoje resolvi amá-lo demais.
Queria que ele soubesse, que é uma honra, uma grande honra, que alguém tanto tempo depois, ainda o amasse tanto.
Tanto que me visto mais bonita, que saio com caras bacanas, que faço viagens memoráveis, que ando escrevendo mais, fumando menos e até mais calma.
O amor que eu tinha me tornou uma pessoa melhor.
Resolvi contar para ele. Ás 5h da manhã.
***

Acordo num susto, ás nove, telefone tocando na mão, ele reclama uma chamada perdida.

“Eu queria dizer que te amava.

Mas acabei dormindo.

Desculpa...”

Tem hábitos que a gente aprende com os outros.


http://www.youtube.com/watch?v=i2V_ZT-nyOs

Thursday, September 03, 2009

Possibly Maybe

"Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és"


E se, eu não quiser mais ler o jornal, e preferisse ser uma desinformada, ou nada que eu escrevesse servisse pra droga nenhuma, e se não tivesse essas pernas que um dia você tanto gostou, e se não tivesse passado tanto tempo na sua cama, ao invés de na minha casa, e se eu resolver me mudar do Rio e ir atrás de um gatinho na Patagônia, se resolver virar Sophie Calle e pintar a cidade inteira com seu nome? E se um dia eu me casar de vestidinho branco, tradicionalíssima, ou se até mesmo você decidir que nasceu para viver a vida do ser humano médio e tiver três filhas e uma
delas com o meu nome?

Obrigada senhor, mas não quero ser “a mulher incrível”, a amigona, aquela que vai estar presente nos bons e nos maus momentos enquanto é outra que dorme do seu lado a noite.

Eu prefiro ser a mesma de sempre, espalhando pedacinhos pelos bairros do Rio como quem deixa pistas, e quero continuar virando o rosto para te olhar atravessar a rua como hoje, porque ser difícil não significa deixar de ser bonito, mas vou continuar dando o fora, chorando vez ou outra no chuveiro, achando a vida uma beleza como agora, e de vez em quando acreditando em True Love.

E se não fossemos eu e você?

Teria sido possível, baby?

Tuesday, September 01, 2009

The Dog Days Are Over

Eu preciso aprender a escrever estando feliz.
E isto aqui é um começo.


Fica um presente:
http://www.youtube.com/watch?v=hEIYQ3wFyoQ