Sunday, July 12, 2009

Separações

Olhar o que aconteceu alguns meses depois é como ter uma visão privilegiada de um estrangeiro sobre a própria vida. Aquela velha estória. Um deles vai primeiro, o outro sofre, o drama das coisas devolvidas, melancolia de apertar o peito, e muitos dias em que se acorda chorando, com raiva, ou cometendo insanidades que envolvem ligações, humilhações, bebidas e e-mails (no meu caso é “don´t drink and type”) rasgados em madrugadas durante a semana.E aí isso tudo passa.
Claro que machucado cicatrizado a pouco, ainda dói de vez em quando. Sua vida anda e seus amigos continuam na noite, e continuam vendo a sua ex metade dançando por aí com um (a) outro qualquer. Sobrevive-se a isso. Na verdade sobrevive-se a quase tudo nessa vida, o pior é que quando dói é tão físico que a gente jura que não vai agüentar. E não agüenta mesmo ás vezes, mas o sofrimento dura o tempo exato para que a gente comece a sentir pena de nós mesmos e a partir disso se resolva dar a cara á vida, a tapa.
Hoje, café para dois e jornal dividido na cama, eu lembro de todos aqueles que foram embora levando um pedaço de todas essas manhãs de domingo chuvoso onde a vida se enche de esperança por ter alguém bacana para brigar pelo jornal. E o coração aperta um pouco por lembrar o quanto doeu da última vez, e o quanto tantos meses depois, aquele último parece nem lembrar que você existia. Mas aí o medo some quando se vê mais uma vez uma possibilidade tímida de amor que te invade a vida de novo. E mesmo sabendo o quanto dói, ou o quanto se imagina que vá doer, são essas manhãs sonolentas divididas por dois que fazem toda e qualquer coisa valer a pena. Até isso que dói agora.
Até isso.

Wednesday, July 08, 2009

In Treatment

Sessão de análise.
Punk.
Como toda boa judia/pessoa com problemas existenciais eu vou á análise com a mesma freqüência e empenho que uma carola vai a missa aos domingos. Eu preciso, eu preciso, eu vou.
E é muito difícil quando alguém numa quarta feira á tarde te abre uma caixa de Pandora que está fechada há mais ou menos dez anos.
Bem vindo ao meu subconsciente fodido. Que é mais ou menos parecido com isso aqui.
Catherine Millet falava sobre seu livro auto-biográfico (insisto no hífen, gostaria de dizer) enquanto eu penso nos meus textos e na facilidade de se fazer ficção quando se realmente quer. Ela diz que só escreve sobre a própria vida porque se sentiria ridícula ao falar aquilo para as amigas. E a verdade é que por trás do papel sempre existe a grande desculpa da ficção. E eu preciso escrever, preciso escrever, preciso escrever. Como se isso fosse uma atividade compulsiva, e felizmente, agora nem sempre sobre mim.


***


Nesse ínterim ele veio.
Veio e disse que trocou de estado para me ver, que deixou o livro para me ver, que pegou um avião lotado para me ver, sem me perguntar o que eu estaria deixando para trás para vê-lo. Não muita coisa na verdade, mas me incomodou um pouco o fato dele se vangloriar tanto por ter vindo. Isso é sinal de que eu merecia de alguma forma? Na verdade o que eu quero é que ele me admire, que goste do que eu escrevo da mesma forma com que eu acho que hoje em dia ele é o melhor, ao invés de ser mais uma “bonitinha” que valha a pena uma trepada inter estados. Não sei. Sei que ele veio e não mudou muita coisa por aqui. Foi embora em um outro avião lotado e eu é que me virasse com o que tivesse sobrado para mim, além de garrafas vazias, cigarros e papeis escritos e amassados por entre os quartos da casa. Writter´s bullshit, e é o que me toca, não preciso falar de novo a espécie de clichê no qual me enquadro.
E aí eu pego três peças de roupa coloridas que só, frutos de cada dia do fim de semana, e como se tivesse tentado me vestir com migalhas deixadas no Rio entro no taxi a caminho da minha algoz.
Entro na sala, ela acende um cigarro e me pergunta com cara de “enfim” olhando para a minha roupa:
- Começou a primavera na sua vida?
Eu penso escondida por um sorriso besta que não... Pode ainda não ser primavera, mas pela primeira vez, eu ando lidando bem com o inverno da minha cidade, com as questões que eu recalquei durante um tempo, com a facilidade “dele” e de outras pessoas entrarem e saírem da minha vida da forma que fazem.
Só que desta vez, sem estragos, penso.
Sem estragos.
Então sim... Faz frio lá fora, mas talvez já seja primavera.
Em fim.

Tuesday, June 30, 2009

Weird Kid

Com um tasco de pele a menos no dedo
Eu lembro
De quando eu era pequena e roia as unhas até sangrar.
Criança esquisita...
Profetizando o quanto ia doer
Quando eu levasse as coisas até o final.

Sunday, June 28, 2009

"It's in your face but you can't grab it"

Domingo de manhã. Fuck.
Minha operadora de telefone resolveu boicotar minhas ligações. E é uma voz metálica (claro) que me diz isso pelo 0800 enquanto eu olho fixamente para a parede tentando manter a calma, tentando não arremessar o café.
Ironicamente está tudo bem.
Ando feliz com coisas pequenas. Mais esquisita, menos Poliana. Eu curto o cara dos comentários abaixo que quer saber se sou GATA (em CAPS), o seriado de um psicopata na televisão, e um pouco menos de outro, que deixei ir embora levando (como um bom psicopata) algumas partes de mim.
Chororô a parte, eu descubro que depois de tanto tempo me enfiando em um relacionamento atrás do outro, a minha casa (diferente do que eu pensava) é um lugar acolhedor em Copacabana que tem três quartos para receber tudo que sobra de mim durante os dias. Ando escrevendo com se tivesse TOC, ouvindo Faith No More na sala como se tivesse 23 anos em 93, comprando coisas inúteis pela internet como se tivesse dinheiro, fazendo o que a minha analista pede nesses últimos dias, “respeitar os meus impulsos”. E é justamente aí que eu descubro que consigo ser menos autodestrutiva do que eu achava que era ou gostaria de ser.
E num momento ego boost eu nunca gostei tanto de morar sozinha e entender em um processo freudiano meets novela das 20h que eu sou por fim uma garota legal, dessas que duas horas depois no 0800 da operadora arremessa finalmente o café na parede, mas depois se deita com pés quentinhos e jornal na mão, para não fazer nada o domingo inteiro.

Sunday, June 21, 2009

Prenez Soin De Vous.

Ele confessa seu erro depois de whiskys a mais dizendo “baby, desculpa, fui eu que bebi demais” em um prédio em Ipanema enquanto um outro no Flamengo acorda já chorando amaldiçoando uma filha da puta que ontem, apenas um mês depois de ter tirado as coisas dela da casa dele, se pegava com um protótipo de lutador de jiu-jitsu em uma boate na barra. Aqui em Copacabana onde somos todos exageradamente solitários e malucos, cada um de sua própria maneira, dividimos uma imensa teia de corações partidos. Enquanto eu espero o café ficar pronto completamente entediada por apenas esperar, esperar, e esperar que um dia ele ligue finalmente dizendo que não me ama mais.

Friday, June 19, 2009

Querido,

"Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção,
faça não...
Pode ser a gota d'água"

Wednesday, June 17, 2009

Lendo Sábato demais...

Eu olho para ele. Quem compra suas camisas? A barba cheia e o cabelo desgrenhado não existiam, e hoje em dia enquanto ele insiste em usar seus fios bagunçados existe neles, inclusive na barba, uma grande mancha branca.
Eu quase gosto.
Logo que a aliança saiu entrou uma argola do lado direito, como um pirata, e também pares e mais pares de all-stars. Agora pára depois da aula e fuma um cigarro encostado pelas paredes, quase pedindo um pouco de atenção. Ás vezes eu paro encosto do lado dele e fumo um cigarro olhando ao longe também. Ficamos os dois, em silêncio, dividindo a mesma solidão matinal. Eu não tenho pena dele, é mais do que isso. Me sinto cúmplice.
Lembro que ás vezes falava do filho. Ainda usava aliança, e hoje em dia não fala mais. Durante a noite eu o imagino sozinho com pilhas de livros e dicionários por perto, ouvindo jogo no rádio e tomando sopa. Tem cara de quem gosta de sopa. Talvez eu esteja em casa fazendo o mesmo. Um dia cheguei na livraria e comprei todos os livros do Lobo Antunes. Fiquei o fim de semana todo lendo. Li os quatro que trouxe para casa, só sai para comprar sopa e cigarros para não perder o tempo em que ficávamos juntos, eu e ele. Como se nossa própria solidão tivesse um eco, um telefone sem fio, um meio só.
Na segunda feira não consegui falar. Passei a aula toda olhando para ele, que reclamava que ninguém tinha lido os contos enquanto eu tinha os quatro livros quase decorados. Com o passar da semana passei a não freqüentar as aulas, a faculdade e ao mesmo tempo comecei a ler todos os livros do programa que ele tinha passado. Eu e ele agora tínhamos um ritual. Embora ele não soubesse, passávamos todas as noites juntos. Um dia recebi um e-mail. Ele me pedia desculpas mas ia ter que me tirar das aulas, percebeu minha falta, comentou meu sumiço, disse que não podia mais me avaliar, os prazos tinham passado, o tempo tinha passado.
No dia seguinte apareci ás sete horas da manhã. Pontualmente. E assim coloquei sua mão no meu peito e disse baixo no seu ouvido:
Não desista de mim.

Monday, June 15, 2009

Para que você não desista.

Não babe, eu não sou sutil. Nunca foi o meu forte, e você sabe. Choro descaradamente na frente de quem for, não para fazer escândalo, mas porque nunca consegui conter nada que preze. Então, quando da próxima vez eu gritar e fizer uma cena ( sim, vai ter uma próxima vez, mas você sabe, é também só pra você) grita mais alto porque é no barulho que eu calo a boca, e depois me abraça, me chamando de maluca algumas dezenas de vezes para que eu não esqueça, e depois agradece babe, se faz de agradecido por entender que cada grito estridente pelo telefone é sinceridade que não cabe, é amor que não cabe, é esse meu pânico de olhar pra trás e não te ver por perto, mesmo sabendo que você sempre estará por perto. Ao alcance do lápis, perto do coração.

Friday, June 12, 2009

Cheshire Cat.

Eu pensei que você tivesse fodido tudo.
Fodido tudo de novo.
Mas aí eu percebi que fui eu.
Que durante todo esse tempo fui eu que fui
infiel,
egocêntrica,
má,
aproveitadora de palavras e do seu me tratar assim
pelas beiradas.
Era na falta que eu conseguia criar.
E eu te amei, por cada palavra.
E eu passei a te odiar, por mais uma vez você ter me deixado na mão,
E eu percebi a raiva que eu tava, que raiva eu tava.
Por não sentir mais nada.
Agora só fica um buraco, nada pra preencher e preguiça de um novo amor.
(Muita preguiça)
E aí eu te odeio
Por não sair mais nada
Por não sentir mais nada
Por não conseguir te dar mais nada.
Nada além desse sorriso.
Amarelo.



Livremente inspirado por: http://www.youtube.com/watch?v=uTpvjNn2BUM rs

Thursday, June 11, 2009

It´s a great gray day in Rio today.

Eu aqui fazendo pose de donzela de 1900 na sala de casa. Lenço no pescoço, amargurando uma dor de garganta como se fosse tuberculose.
Meu amor não foi pra guerra, nossas famílias não se odeiam, ele não se chama John ou Phillip, não me manda recados, não arruma desafetos com outro cavalheiro de um reino distante. A única coisa de 1900 aqui sou eu, com dor de garganta como se fosse tuberculose.
Não existe um amor.
Ouviram senhores?
Ela diz perplexa. Pela primeira vez, em muitos anos, não existe um amor.
Não sabe quanto tempo faz, costumava se apaixonar em cada esquina e por esses dias tem andado pelo reino de Copacabana apenas rindo das velhinhas de cabelos lilás. Não olha para os lados, não se apaixona, não se apaixonou. Ficou muito tempo sem saber o que fazer quando não consegue escrever sobre o amor. Talvez por isso uma quantidade imensa de textos sobre remédio para o estômago e pastilhas para a garganta.
É esquisito, e ela não entende.
Não existe absolutamente nada agora.
Dá até saudade de estar procurando alguma coisa... Mas ela não está
Quando a falta para de ser fome e vira quase aliada em algumas noites, fica tudo bem.
E estranhamente está tudo bem.
Está tudo bem senhores.

Wednesday, June 10, 2009

Dor de garganta

Eu estou sempre tomando remédios para o estômago e chupando pastilhas para a garganta.
Para amenizar o cigarro e a cerveja
(Que na verdade dói menos que o buraco causado pela falta)
Com problemas de saúde de uma velha, embora presa num corpo de 23,
Eu desfio meu rosário de corações partidos e histórias de muitos anos atrás,
Porque é divertido.
Embora a dor de garganta e a gastrite hoje em dia sejam causadas puramente por cerveja e cigarros.
Não existe mais o que recordar.
É preciso criar novas memórias. E só.

Sunday, June 07, 2009

Acasos Literários



Queridos,
Nesta terça feira, dia 9, ás 20:30, vou falar lá na Editora Multifoco,
que fica na rua Mem De Sá, número 126 na lapa. Vão ler alguns textos
meus e eu espero que vocês compareçam para evitarem perguntas do tipo:
"Seus textos são ficcionais ? " rs
Enfim, enfim,
Adoraria que vocês fossem lá.
É isso...
Um beijo!

Friday, June 05, 2009

Segundo o sexo.

Babe, você não entendeu nada...
Esse negócio de queimar soutien e fazer manifestação em praça pública já era.
A mulher já conquistou o lugar queria, há muito tempo atrás.
Eu só quero ficar cheirosa, e não quero competir com você.
Não tenho inveja do seu pau.
Só quero que você entenda que tudo o que uma mulher quer, ás vezes, é ser mulher de um homem só.
Agora abre a porta do carro,
Por favor.

Sunday, May 31, 2009

Este texto não é literatura

Sentei aqui nessa onda clichezona de abrir o vinho e digitar palavras como quem cata pedras. Descobri que não consigo mais. Sim, o vinho está aberto ao lado para ver se o discurso da formatura aparece milagrosamente de dentro da taça (Não contei? É...me formo em letras com requintes de crueldade) É engraçado para uma capricorniana (eu levo horóscopo SUPER a sério) como eu, sentir que a vida está passando pela primeira vez sem que eu tenha o menor controle sobre ela. As coisas vão acontecendo de forma tão surreal, que eu simplesmente me rendi. Não totalmente, claro. Existe uma tatuagem de âncora marcada para terça feira para me lembrar dos pés, que devem ficar no chão.
Babe...babe...babe.. I fall in love too easy. Mas não fica com medo não, eu sou super racional quando eu preciso, por isso fica tranqüilo que toda vez que eu penso que você apareceu por essas bandas por alguns minutos com esses olhos de menino bom e depois foi embora, eu fico feliz só de saber que essas coisas acontecem.
A faculdade está acabando e dá um medo... Com isso vem a velha vontade, escondidinha nesses últimos anos, de dar o fora daqui. O Rio é a cidade que eu escolhi para mim mas não necessariamente a minha cidade. A família já não mora aqui, por isso os laços com o “balneário” não são fixos e nem de amor eterno como eu tanto pensava. Estamos de fato terminando um relacionamento de 5 anos e eu não sei para onde carrego as minhas malas. Quase escrevi isso na outra página aberta com três linhas do meu discurso de formatura. É duro não ter controle sobre nada, principalmente para mim, capricorniana racional, amante de horóscopo, descrente na humanidade, mas que ainda assim, se apaixona por meninos de olhos bons que acabam indo embora. Talvez até por isso, porque eu me apaixono por meninos bons que sempre vão embora apenas porque despertam em mim a vontade de ir embora também. Não junto, mas para algum lugar. Só preciso saber para onde.
Enquanto isso continuo clichê, com o vinho ao lado, catando palavras como quem cata pedras e ouvindo Tom Waits, que no auge da sua sabedoria rouca grita nos meus ouvidos a única coisa que eu já sei:
“Forgive me pretty baby but I always take the long way home”




* Para quem ainda não sabe, Mr. Hyde se esconde em www.complexodebovary.blogspot.com

Wednesday, May 27, 2009

Eu tenho saudade de acreditar em tudo, de novo.
Ao invés de amargurar pessoas e acontecimentos, como se eu fosse uma velha (eu sou uma velha) que já viu todo mundo passar. Isso de não acreditar em ninguém dói muito antes que a descrença seja em si um estado letárgico.
Sem a mínima fé no caráter das pessoas, muda tudo, menos a vontade de querer que hoje alguém me coloque dentro do bolso, me dê um tapinha nas costas e diga:
Tá tudo bem, tá tudo bem.
Tá tudo bem.